Petrópolis ocupa um lugar especial na história de Fernanda Sixel Neves. Nascida e criada em Niterói, ela tem laços com a cidade por meio da família materna. Os Sixel mantêm uma relação histórica com Petrópolis desde a chegada de Michael e George Sixel à cidade, em 1845. Os pais de Fernanda moram na casa onde a família se reunia ao longo das gerações e continua sendo um ponto de encontro e de memórias familiares.
A candidata a deputada estadual pelo PDT voltou a Petrópolis nesta última semana de campanha. A agenda incluiu uma caminhada ao lado do ex-prefeito, Leandro Sampaio. Fernanda Sixel Neves aproveitou para reafirmar seu compromisso com a cidade: “Petrópolis faz parte da minha história. Aqui estão minhas raízes familiares, onde meus pais vivem e onde construí muitas das minhas memórias. Por isso, quando venho a Petrópolis, não venho apenas como alguém que está conhecendo uma realidade. Venho também como alguém que tem uma relação de afeto e de responsabilidade com o município”, afirmou.
Entre os assuntos que estiveram no centro das conversas está a necessidade de preparar Petrópolis para enfrentar eventos climáticos extremos. A cidade tem convivido nos últimos anos com episódios de chuvas intensas e desastres que marcaram a vida de muitos moradores.
A experiência de Niterói na construção de uma política permanente de prevenção e resiliência climática foi citada como uma referência que pode ser adaptada à realidade da Região Serrana.
A tragédia do Morro do Bumba, em Niterói, em 2010, foi um marco para a cidade. O deslizamento provocado pelas fortes chuvas deixou dezenas de mortos e expôs de maneira dramática os riscos associados à ocupação de áreas vulneráveis.
A partir deste episódio, Niterói passou a estruturar políticas de prevenção e resposta a desastres, combinando monitoramento, mapeamento de áreas de risco, sistemas de alerta, preparação das comunidades e ações de Defesa Civil.
Para Fernanda, uma das principais lições é que a resposta aos eventos climáticos não pode começar apenas quando a chuva chega: “Depois do Bumba, Niterói entendeu que precisava trabalhar não apenas na resposta à tragédia, mas principalmente na prevenção. É preciso conhecer os riscos, monitorar o território, preparar as comunidades e ter protocolos claros para agir antes que uma situação de emergência se transforme em uma catástrofe”, afirmou.
A proposta, segundo ela, não é simplesmente reproduzir em Petrópolis um modelo criado para Niterói, mas aproveitar experiências que deram resultado e adaptá-las às características da Região Serrana.
“Petrópolis tem uma realidade própria, uma geografia própria e desafios muito particulares. Mas há aprendizados que podem ser compartilhados. O que Niterói construiu depois de uma tragédia como a do Bumba pode ajudar a pensar uma política de prevenção ainda mais integrada para Petrópolis”, destacou.
Fernanda Sixel Neves é pedagoga, educadora concursada há mais de 30 anos e casada há 32 anos com o prefeito de Niterói, Rodrigo Neves, com quem tem três filhos e dois netos. A educação é uma das áreas centrais do programa estadual apresentado por ela. Entre as propostas estão a valorização dos profissionais da rede, a ampliação do ensino médio em horário integral e a recuperação e reabertura de CIEPs abandonados ou subutilizados.
Segundo Fernanda, “educação não é apenas abrir portas para o futuro. Em uma cidade como Petrópolis, ela também pode ajudar a formar uma população mais preparada para compreender o território, os riscos ambientais e a importância da preservação da própria cidade”, afirmou.
Outro tema que ganhou espaço na passagem pela cidade foi a preservação do patrimônio histórico. Petrópolis reúne um dos mais importantes conjuntos arquitetônicos e paisagísticos históricos do estado, com grande concentração de imóveis protegidos. Para Fernanda, a recuperação de prédios históricos não deve ser tratada apenas como uma questão de conservação arquitetônica.
A restauração pode estar associada à educação patrimonial, à cultura, ao turismo e à movimentação da economia local.
De acordo com Fernanda, “um prédio histórico abandonado é uma perda para toda a cidade. Recuperar esse patrimônio significa preservar memória, mas também criar possibilidades para que esses espaços voltem a ter vida, recebam atividades culturais, educativas e possam contribuir para o turismo e para a economia local”, afirmou.
No programa estadual de Fernanda, um dos eixos é o fortalecimento do interior do Rio, com a descentralização de recursos e investimentos de acordo com as características de cada região. Entre os setores estão pequenas empresas, agricultura, turismo e economia local.
Em Petrópolis, essa perspectiva ganha características próprias. A preservação do patrimônio histórico, a atividade turística, a produção cultural e a economia criativa estão diretamente relacionadas à identidade da cidade.
A proposta apresentada por Fernanda é que as políticas estaduais considerem essas vocações regionais em vez de adotar soluções iguais para municípios com realidades diferentes.
“A Região Serrana tem características próprias. Petrópolis tem uma história, um patrimônio e uma vocação turística e cultural que precisam ser considerados nas políticas públicas. O Estado precisa estar mais presente, mas também precisa ouvir o que cada região tem a dizer”, afirmou.
Essa ideia de escuta também aparece entre as propostas de mandato apresentadas por Fernanda, que prevê reuniões nos bairros e municípios e consultas virtuais para acompanhar as demandas locais.



