O que funciona em Niterói pode funcionar em todo o Rio

Há uma frase que resume o jeito de Fernanda Neves fazer gestão pública: política para mulher não pode ser um departamento isolado, tem que atravessar todas as secretarias. Foi com essa convicção que ela assumiu a CODIM, Coordenadoria de Políticas e Direitos das Mulheres de Niterói e, depois, o Escritório de Políticas Transversais de Direitos e Cuidados. Fernanda Neves construiu, ao longo de mais de duas décadas, uma das redes de proteção e autonomia feminina mais completas do país. Não por acaso, Niterói hoje é referência nacional na pauta, com casos de feminicídios zerados por longos períodos e reconhecimento de entidades como a Frente Nacional de Prefeitos.

O que Fernanda propõe para o Rio de Janeiro como um todo é justamente isso: pegar o que já foi testado, aprovado pela população e comprovado em números, e replicar na escala do estado. Por isso “o que funciona em Niterói pode funcionar em todo o Rio” não é um slogan, é um plano de trabalho.

Conheça algumas das ações implantadas por Fernanda Neves:

Niterói por Elas: o programa que muda a lógica do orçamento público

A maior inovação de gestão de Fernanda tem nome: Niterói por Elas. É o programa de maior transversalidade orçamentária do município. Na prática, significa que a mulher deixou de ser “tema de uma secretaria” para se tornar critério de decisão em todas elas. Educação, saúde, assistência social, mobilidade, desenvolvimento econômico: cada uma dessas áreas passou a ter metas específicas de equidade de gênero, com orçamento carimbado para isso.

O resultado é uma cidade em que as políticas conversam entre si. Uma mulher que chega a um serviço de acolhimento não sai de lá “resolvida”: ela é encaminhada para capacitação profissional, para transporte gratuito, para o mercado de trabalho. É esse encadeamento, e não uma ação isolada, que Fernanda aponta como o segredo por trás dos resultados de Niterói.

Fernanda costuma explicar sua política em uma frase: a proteção da mulher não pode parar na denúncia, ela precisa continuar até a mulher conquistar sua própria autonomia. Para isso, Niterói estruturou uma rede com várias portas de entrada.

CEAM Neuza Santos: o Centro Especializado de Atendimento à Mulher é onde tudo costuma começar. Ali a mulher encontra atendimento psicológico, social e jurídico totalmente gratuito, pensado para reconstruir a autoestima e abrir caminho para a autonomia.

NUAM: Núcleos de Atendimento à Mulher são os postos descentralizados, alguns instalados até dentro de shoppings da cidade, para que o atendimento chegue perto de onde a mulher já circula no seu dia a dia, sem que ela precise se deslocar até um órgão central. Niterói já expandiu esses núcleos para vários pontos, incluindo uma unidade dentro do Hospital Carlos Tortelly.

Sala Lilás: um dos equipamentos mais sensíveis da rede. É o espaço criado para acolher mulheres e crianças vítimas de violência sexual no momento mais delicado, o da coleta de provas periciais, evitando que elas revivam o trauma ao repetir o relato várias vezes para pessoas diferentes. Funciona com equipe multidisciplinar, assistentes sociais, enfermeiras, psicólogas e hoje opera 24 horas por dia.

Auxílio Social: a peça que transforma proteção em autonomia real. É um benefício de um salário mínimo por mês, pago durante até um ano, para que nenhuma mulher precise escolher entre ficar com um agressor ou passar fome. Em 2025, a prefeitura reajustou o valor em 51%, levando o benefício a R$ 1.518, um reconhecimento de que proteção sem dinheiro no bolso não quebra o ciclo de violência.

Cartão Vai Mulher: a novidade mais recente da rede, criada para resolver um problema muito concreto: muitas mulheres interrompiam o próprio tratamento porque não tinham como pagar a passagem de ônibus até o CEAM ou o Espaço Empreender. O cartão garante gratuidade total no transporte municipal para mulheres em situação de vulnerabilidade cadastradas no CadÚnico.

Espaço Empreender e Programa Mulher Líder: da proteção ao próprio negócio. Fernanda sempre defendeu que autonomia econômica é o verdadeiro ponto final da política de proteção à mulher. Por isso, criou o Espaço Empreender Mulher, um coworking com salas de reunião estruturado especialmente para empreendedoras, e o Programa Mulher Líder, lançado em 2021 em parceria com a Acierj e o Senac.

O programa já formou mais de dez turmas e centenas de empreendedoras, sempre reservando 20% das vagas para mulheres em situação de vulnerabilidade social ou que enfrentaram algum tipo de violência. Fernanda costuma dizer que o Mulher Líder nunca foi só sobre ensinar a empreender, é sobre devolver a cada mulher a certeza de que ela não precisa caminhar sozinha. Recentemente, a coordenação anunciou uma nova fase, com o Espaço Empreender sendo ampliado e ganhando gestão mais ágil para atender ainda mais mulheres.

Segurança: o Pacto Niterói Contra a Violência

Fernanda também é parte de uma gestão que decidiu enfrentar a violência sem escolher entre repressão e prevenção e sim, fazendo as duas coisas ao mesmo tempo. Criado em 2018, o Pacto Niterói Contra a Violência mudou a forma como a cidade lida com a criminalidade: em vez de apostar só em policiamento, passou a combinar investimento em tecnologia e inteligência com políticas sociais voltadas a crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade, justamente o público mais exposto ao recrutamento pela criminalidade.

Foram mais de R$ 820 milhões investidos desde a criação do Pacto, e o resultado apareceu na vida real de mais de 50 mil jovens, que passaram por programas como o Niterói Jovem EcoSocial, o Aprendiz Musical, a Escola da Família e a Poupança Escola: iniciativas pensadas para tirar o jovem da rota do risco e colocá-lo em uma trajetória de formação, cultura e renda.

Os números comprovam que a estratégia funciona: entre 2018 e 2025, os roubos por 100 mil habitantes caíram 80,7% e as mortes violentas recuaram 69,3%. Em abril de 2026, Niterói registrou o menor número de roubos de rua desde que os indicadores começam a ser divulgados, em 2003. Enquanto isto, cidades vizinhas como São Gonçalo e Itaboraí viviam justamente o movimento contrário, de alta na criminalidade. Não por acaso, a cidade já está lançou a segunda fase do Pacto, ampliando o que deu certo.

Educação e juventude: da creche à universidade

Se em segurança a lógica é prevenir, em educação a lógica de Fernanda é garantir acesso do início ao fim da formação. Isso significa cuidar da criança pequena com o mesmo compromisso com que se cuida do jovem universitário.

Todas as Crianças na Escola: Niterói começou 2026 com 100% de atendimento à demanda de vagas na rede municipal, hoje com 98 unidades públicas, 19 creches comunitárias e 36 escolas particulares conveniadas pelo programa Escola Parceira. Não é só vaga por vaga: a rede ganhou a primeira unidade bilíngue em espanhol do município e laboratórios de ciência e tecnologia em todas as unidades de Ensino Fundamental II, um salto de qualidade que muda a expectativa de futuro de cada criança que entra na rede.

Aluguel Universitário: Um dos programas mais inovadores da gestão, e o maior programa municipal de auxílio-moradia estudantil do Brasil. A ideia nasceu de um problema muito concreto: jovens de baixa renda que conseguiam vaga na universidade, mas não tinham como arcar com moradia perto do campus, e muitas vezes desistiam no meio do curso por isso.

O programa paga R$ 700 por mês para estudantes com renda familiar de até três salários mínimos, para que possam morar no Centro de Niterói durante a graduação ou pós-graduação. Hoje já são mais de 1.150 beneficiários ativos. O impacto vai além da vida de cada estudante: ao concentrar os beneficiários no Centro da cidade, o programa também ajuda a revitalizar a região, injetando cerca de R$ 800 mil por mês na economia local.

É a mesma lógica que atravessa toda a gestão: não adianta abrir a porta se a pessoa não tem como se manter do outro lado dela. Segurança que protege o jovem, escola que recebe a criança, moradia que sustenta o universitário: cada política pensada para nãodeixar ninguém pelo caminho!

Os números que comprovam o que funciona

Para Fernanda, esses números só existem porque houve orçamento comprometido e gestão integrada e não vontade política isolada.

É essa mesma lógica, testada e aprovada durante anos em Niterói, que ela quer levar para a Alerj: transformar em política de estado o que já mudou, de forma concreta, a vida de milhares de cada morador do estado do Rio de Janeiro!

Vamos juntos?